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Eu achava que não ia escrever sobre ela porque todo mundo já escreveu. Não vou falar sobre o que eu acho que significa a morte dela na questão das drogas porque 1.eu não acho nada, 2.já falaram muito disso. Como disse a Marina:
“Um sonho: que a Amy tenha morrido engasgada com uma bolacha maizena e o Globo Repórter fale dos perigos da bolacha maizena.”
Eu quero falar como a música dela me afetou, e sobre as coisas que eu tenho lido (foram essas que me motivaram a escrever).
A primeira vez que eu ouvi a voz da Amy Winehouse foi porque meu irmão me emprestou o celular dele pra eu acordar (tenho o sono muito pesado, por isso às vezes uso dois telefones como despertadores). Quando o celular tocou, era Rehab a música. E eu acordei, mas não desliguei o telefone e fiquei ouvindo aquela música e aquela voz e pensando “putaquepariu, que coisa incrível” (tá, não é o comentário mais genial sobre uma música, mas eu tinha acabado de acordar e ainda não tinha cafeína no meu organismo, dêem um desconto).
Naquele dia eu coloquei no aparelho de mp3 o álbum Back To Black, e fui ouvindo no caminho pro trabalho. Depois ouvi no almoço. E antes da aula. Queria decorar as músicas logo, porque naquelas músicas que tinham coisas tão boas e bem construídas que eu precisava absorver aquilo.
“Ela pôs mais alma ao pop” (Lena)
E depois foram vários momentos, espalhados ao longo dos anos, em que a música dela significou algo. Quando eu e o Gaspar conversamos sobre o álbum e as semelhanças dela com a Janis. Quando eu quis impressionar um cara que era músico(hahaha) falando sobre como gostava dela. Quando eu tinha um emprego que detestava e todo dia no final do expediente ouvia Tears Dry On Their Own pra não chorar. Quando pulei na cadeira na frente do pc ao saber que a Lena tinha encontrado a Amy em Londres. Como em 2009 eu fiquei feliz quando ela surgiu saudável e segura no vídeo abaixo e eu fiquei ouvindo a música a semana toda.
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Ontem ao ler as primeiras notícias no twitter a ficha demorou a cair. Podia ser mentira. Quando confirmaram, eu comecei a chorar. Ela não era minha cantora favorita. Mas como muito gente, eu era fascinada por ela e torcia pra que ela continuasse viva. E como muitos também, me identificava com a fragilidade emocional dela. Porque eu já senti várias vezes que eu não ia dar conta da vida. E tive medo disso. Chamem de empatia, projeção, whatever, mas poucos artistas conseguiram isso, essa aproximação tão imediata com o público.
Reparei que a maioria dos posts em blogs sobre a morte da Amy são de mulheres/garotas. Não são aqueles posts com piadas (sim, eu ri de algumas), nem os comentários de “eu já sabia”, mas os posts sobre a importância da Amy para cada um pessoalmente, estes são quase sempre de mulheres. Desconfio (não tenho estatística) que é a primeira vez na história que as mulheres escrevem mais do que os homens sobre a morte de um ídolo pop. Graças aos blogs mulheres tornam públicas todas essas análises e homenagens sobre Amy Winehouse. Então alguém anota aí pra posteridade que a Amy tem esse mérito, também. (e quando digo mérito, lógico, falo da capacidade dela de atingir as pessoas assim, e tudo isso com apenas dois álbuns lançados).
A Dani no Ricota Não Derrete disse:
“toda aquela porção de doçura e beleza precária…E um delineador preto nunca mais vai ser o mesmo.” (Daniela Vasconcelos)
Aí fiquei pensando no comportamente da Amy e o que a reprovação deste comportamento diz para nós mulheres. Usar um monte de delineador preto sob a luz do dia, beber até cair, perder o controle, “sair da linha”, são comportamentos que a sociedade considera reprováveis para uma mulher. Afinal, o Keith Richards, Ozzy e todos esses roqueiros estão aí há anos e ninguém faz “tsc, tsc…” e balança a cabeça negativamente para eles. Pelo contrário, eles são fodões, enquanto Amy seria fraca, abandonada pela família, instável (quantas vezes essa palavra não foi usada para reprimir mulheres, não é mesmo?). Desconfio que parte da nossa identificação com a Amy venha daí também. Afinal, em 2011 até podemos ir a um show de rock sozinhas, mas se acontecer algo conosco na volta alguém vai comentar “Mas porque você saiu tão tarde sozinha?”, como quem diz, “isso acontece com moças que saem sozinhas, a culpa é sua, você não se protegeu”.
Há alguns meses tinha deixado de ouvir Back To Black. Tinha ouvido até enjoar, e ultimamente a minha vida tá melhorzinha, trabalhos legais, nenhum pé na bunda, então eu estava em outro clima. Pensava “vou deixar pra ouvir quando estiver bem triste”.
Então essa semana eu vou ouvir, muito.



Pingback: O delineador nunca mais será o mesmo | LuluzinhaCamp
Eu fiquei super triste com a morte dela, não era fã, não segui a sua carreira, mas gostava da voz e de algumas músicas dela. Fiquei triste por que um talento desses uma voz daquela se extinguir assim tão jovem é sempre uma uma tragédia. Seu relato foi lindo, obrigada por compartilhar
Lindo post, Francine. Amy era minha amiga imaginária… R.I.P : ˜ ˜
Lindo texto! Bem merecido. Parte de mim tbem se identificava com ela.