09/02/2010...3:57 PM

Sem vestido não pode?

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Eu ia escrever várias coisas sobre as críticas que tem surgido contra a Geisy querer desfilar no Carnaval ou posar pra Playboy. A Srta. Bia fez isso muito bem.

Mas o que mais me assustou nessas críticas foi ver pessoas que tinham se manifestado contra a Uniban dizendo coisas do tipo:

“Se a Geisy posar pra Playboy eu mato ela!”

Pára, pára, pára! Entendo que “matar” é no sentido figurado, mas não dá pra falar isso nem de brincadeira. Não dá pra falar de violência contra a mulher nem de brincadeira (viu, Angeli?)

Temos meia dúzia de pessoas preocupadas com os direitos das mulheres no Brasil, e agora até elas vão começar a jogar pedra na Geisy? É claro que eu acharia melhor que nenhuma mulher tivesse que posar pra Playboy, nunca. Mas o que me incomoda não é ela tomar essa decisão (que é uma decisão dela). O que me incomoda é saber que no Brasil é muito difícil uma mulher jovem, de classe média-baixa ou pobre, ganhar um dinheiro razoável ou ter “notoriedade” se não mostrar o corpo. Pare e tente se lembrar: quantas vezes você viu uma mulher jovem ser notícia na mídia pelo seu trabalho? Provavelmente só quando tinha Playboy no meio. Porque no Brasil até quando uma jovem está recebendo um prêmio pelo seu trabalho ela é reduzida a uma bunda.

E daí que eu, que tive a sorte de ter lido algumas coisas sobre feminismo, de ter me tornado crítica quanto a essas questões, vou gastar minha energia criticando uma mulher que foi buscar dinheiro e fama sendo musa de carnaval? Não mesmo, cara pálida. Guardo minhas críticas pra mídia, pra publicidade, pra indústria da pornografia, mas não vou fazer força pra corda arrebentar do lado mais fraco.

Outra coisa que disseram é que a Geisy poderia ter entrado pra história do movimento feminista, mas que optando pela vida de subcelebridade jogava tudo fora. Discordo das duas coisas.

O que entrou pra história do movimento feminista foi o evento da Uniban. Porque de repente mostrava (pra quem não sabia) que ainda existe muito machismo no mundo. Mostrava através de um vídeo chocante. Porque quando eu critico o comercial de cerveja ou a novela parece que eu tô vendo pêlo em ovo. Mas no caso da Uniban era “vida real”. Só não via quem não quisesse ou quem era muito boçal mesmo. Além dos blogs, soube de pessoas nos escritórios e nas casas discutindo o assunto. Então mesmo que por um dia apenas, o direito de uma mulher foi assunto da hora do cafezinho na firma ou na hora do jantar na família.

Lembro da Geisy num programa de tevê agradecendo as feministas pelo apoio. Essa palavra, feminista, na tv aberta… Pena que o apresentador não entrou no assunto. Mas eu lembro que achei bonito. Pensei nas pessoas que acham que feministas são raivosas e não se depilam, e que viam aquela menina jovem de saia curta agradecendo às feministas pelo apoio. Deve ter dado um nó na cabeça de alguém.

Então acho que nada que a Geisy fizer no Carnaval vai jogar isso fora. Porque ela se comportou com coragem diante do evento, e ainda por cima falou “feminista” em rede nacional (rá!). Eu conheço profissionais de comunicação que nem sabem o que é uma feminista. Então, mal aê quem tá contra, mas eu prefiro a Geisy. Porque eu acho que já tem gente demais contra as mulheres.

1 Comentário

  • Eu vi no programa da tv aberta, uma repórter entrevistando alunos da Uniban. Eles enfatizavam que aquela roupa era muita curta para se estar numa faculdade. Algumas meninas falavam horrorizadas de como ela podia usar “aquela” roupa e que apoiavam a Universidade.
    Você acredita nisso?!?!
    Adultos jovens, universitários, cheio de moral criticando o tamanho da roupa da menina, isso sim me choca muito! Porque a mídia ( seja ela qual for) tá aí pra causar, pra botar fogo nas coisas e pra mostrar só merda, pra emburrecer. Mas pensar que essas pessoas apoiam a atitude da Universidade em expulsar a Geyse, isso sim me deixa bege !
    Eu queria muito que tivesse acontecido comigo, afinal uso roupas curtas pra ir em todos os lugares. GOsto de usa-las. Acho que tenho esse direito. Eu ia ganhar muito dinheiro e ia processar a Uniban e ia estudar de graça e para sempre. ( apesar de quê, não é grande vantagem estudar lá)
    E também não vejo nenhum problema se ela quiser sair na playboy. Como a Francine disse, essa é uam decisão dela. Ela sabe o porque ela quer fazer isso.


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